Como aproveitar melhor o tratamento de estimulação visual

Fico feliz pelo meu entusiasmo da Habilitação e Reabilitação Visual, que ele cresça a cada dia! Mas, antes, gostaria de compartilhar algumas informações e experiências. Que todos entendam como aproveitar melhor o tratamento de estimulação visual e saber o que esperar do profissional que atua nessa área.
Contudo, minha experiência profissional nesse novo universo, que muitos não conhecem não seria possível sem as dicas e orientações.

Imagine só:
* Um programa de estimulação visual é geralmente recomendado para crianças com baixa visão, na prevenção de ambliopia e no reforço da musculatura, em alguns casos de estrabismo.

* São inúmeras as doenças e é difícil precisar os impactos na visão de cada criança que é encaminhada para a estimulação visual.

* A capacidade que a criança tem de interpretar e descrever o que vê está relacionada a muitos fatores (resíduo visual, competência de comunicação e cognitiva, habilidades sensório-motoras,

aspectos ambientais e sociais, por exemplo).

* Cada criança é única, pois algumas podem ter dificuldades visuais, ou múltiplas deficiências, que demandam cuidados especiais.

Difícil?! Não se preocupe, a ideia é que todos possam entender que tudo se inicia com uma consistente “Avaliação Funcional da Visão, do desenvolvimento visual infantil x motor e das necessidades educacionais especiais e adaptativas da criança”, como sugere a fisioterapeuta visual Natália Diogo, uma das referências do nosso trabalho e do blog da Clínica NeuroGenetics.
Dessa forma, é possível definir que práticas adotar e acompanhar os resultados. Ela pode ser feita pelo oftalmopediatra ou por um profissional capacitado em estimulação visual.

Mas, quem pode fazer estimulação visual em bebês e crianças com baixa visão?
Ainda não há regulamentação, existem profissionais em pedagogia, terapia ocupacional, fisioterapia, optometria… Contudo, tem algumas competências que os profissionais devem ter e emonstrar dominar para desenvolver um trabalho de estimulação visual de excelência.

1. Conhecer a anatomia do sistema visual e como ele funciona;

2. Ser capaz de avaliar a visão funcional da criança (reação à luz, capacidade de fixação, de seguimento, de coordenação dos dois olhos, acuidade visual, olho preferencial, acomodação, campo visual, visão de cores, adaptação visual à luminosidade, visão de contrastes, percepção, noção de profundidade que é estereopsia;

3. Saber as principais doenças oculares, o seu impacto no desenvolvimento visual e as dificuldades que podem causar na forma como a criança vê e age;

4. Reconhecer as diferentes deficiências (Síndrome de Down, Transtornos do Espectro Autista, Atraso no Desenvolvimento Neuropsicomotor, Doenças Genéticas, dentre outra). Com isso, saber como lidar com as limitações delas decorrentes, para oferecer o máximo conforto e resultado para a criança;

5. Adotar técnicas que propiciem um desenvolvimento cognitivo e social e preparem a criança para sua melhor inclusão escolar;

6. Ser atual e criativo, proporcionando experiências que estimulem a criança, apesar do óbvio cansaço visual que a atividade traz e de certo desânimo pelo longo tratamento

7. Junto com o oftalmologista, orientar e esclarecer os pais ou responsáveis, bem como os professores, sobre o tratamento e as necessidades da criança para seu progresso nas atividades de vida diária e escolar.

8. Amar o que faz! Pois estimulação visual requer responsabilidade, disciplina para otimizar o tempo de tratamento e horas de pesquisa e artes manuais para encontrar novos jogos e materiais interessantes para cada atividade. Saber aplicar cada teste visual vai ajudar a desvendar inúmeras alterações oculares e também a intervir, quando necessário para o que o bebê ou a criança seja encaminhado (dependendo da idade): Estimulação Precoce? Treinamento de leitura e escrita? Somente Estimulação Visual? Orientação e Mobilidade? Apenas orientação escolar? Adaptação de recursos ópticos que são os óculos? Adaptação de recursos não ópticos que são as lupas, por exemplo? Oclusão /Tampão para tratamento de ambliopia? Qual tipo desses o seu bebê se enquadra? E com quanto a tempo a criança irá ter um bom resultado visual e motor?

Por isso sempre converse com seu profissional que acompanha a criança, pois o tempo depende de cada caso e de cada criança. Saiba que somos únicos!

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